Conheça os tipos de empréstimos disponíveis para consumidores de serviços financeiros

Empréstimos são operações de crédito em que uma pessoa ou empresa recebe dinheiro assumindo o compromisso de pagar, no futuro, o valor disponibilizado acrescido de juros e encargos. O prazo para efetuar o pagamento, a quantidade de parcelas e os juros são contratados entre as partes, e os recursos não têm destinação específica, isto é, a pessoa ou empresa pode utilizar o dinheiro que tomou emprestado onde e como quiser, diferentemente das operações de financiamento, em que os recursos financeiros possuem uma destinação específica, como, por exemplo, a aquisição de bens de consumo duráveis (veículos, equipamentos), imóveis etc.

A Chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central (Depef), Elvira Cruvinel Ferreira, afirma que é comum as pessoas tomarem empréstimos para cobrir despesas inesperadas. "Os empréstimos são geralmente usados para cobrir gastos que não estavam previstos no orçamento mensal. Eles são um instrumento financeiro útil, mas uma forma de evitar o pagamento de juros é economizar todo mês parte do dinheiro recebido, para utilizá-lo caso ocorram situações emergenciais.”

As instituições financeiras não são obrigadas a conceder empréstimos ou financiamentos, pois a concessão de crédito depende das políticas de crédito estabelecidas pela instituição. Mas, uma vez que ofereçam esses serviços, elas devem informar antes da contratação o Custo Efetivo Total (CET), taxa que corresponde a todos os encargos e despesas incidentes nas operações de crédito. "As taxas de juros e demais encargos variam de banco para banco, então a principal orientação antes de tomar um empréstimo é pesquisar bastante e escolher a melhor opção. Além disso, é fundamental procurar sempre uma instituição autorizada pelo Banco Central e certificar-se de estar tratando, de fato, com a instituição em questão”, ressalta a chefe do Depef.

Há diversos tipos de empréstimos disponíveis no mercado. Conheça um pouco de cada um deles!

Empréstimo pessoal

Também conhecido como crédito pessoal, é o empréstimo ofertado por bancos, cooperativas de crédito e financeiras. Geralmente são exigidos do cliente documentos como RG, CPF, comprovante de residência e de renda. É uma opção para cobrir gastos inesperados ou para quitar dívidas com taxas de juros mais altas, como as do cartão de crédito ou do cheque especial.

Este tipo de empréstimo é utilizado por golpistas com muita frequência. É recomendável nunca fazer um depósito inicial para obter o empréstimo, principalmente, em contas de pessoas físicas. Outra dica é evitar empresas desconhecidas que veiculam anúncios nas ruas, em jornais, na internet ou outros meios de comunicação e que não possuam uma sede física. Também desconfie de ofertas de crédito muito vantajosas ou facilitadas que dispensem avalista ou que não façam consultas a cadastros restritivos, como, por exemplo, o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) ou a Serasa.

Empréstimo pessoal com garantia

Crédito para usos variados em que um bem livre de ônus — carro ou imóvel, por exemplo — fica alienado à instituição financeira como garantia de pagamento. Geralmente, esse tipo de operação requer uma avaliação detalhada do perfil do cliente e das características do bem ofertado como garantia. O risco nesse tipo de transação é mais baixo do que na modalidade anterior, porque a instituição financeira pode vender ou leiloar o bem dado como garantia caso o empréstimo não seja pago e, por isso, as taxas de juros cobradas são menores do que a média de outras modalidades.

Empréstimo pessoal consignado

Modalidade de empréstimo pessoal em que o desconto da prestação é feito diretamente na folha de pagamento ou de benefício previdenciário do contratante. A consignação depende de haver contrato entre a instituição financeira e o órgão consignante. Não há normativo editado pelo BC ou pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) tratando do valor máximo da remuneração recebida que pode ser comprometida com o empréstimo consignado, mas, de acordo com a Lei n° 13.172/2015 , o limite máximo de amortização de operações de crédito nos proventos dos trabalhadores é de 35%, dos quais 5% exclusivamente para despesas e saques com cartão de crédito, aplicável ao crédito consignado dos servidores públicos federal, dos trabalhadores regidos pela CLT e dos aposentados do INSS.

"Ao tomar um empréstimo consignado, o salário, a cada mês, já virá automaticamente descontado da parcela mensal durante todo o período de pagamento do empréstimo, o que poderá gerar dificuldades para o cliente quitar outras obrigações”, afirma Elvira Cruvinel. É fundamental avaliar o impacto de cada parcela no orçamento mensal antes de contratar esse tipo de crédito. Assim como no empréstimo pessoal com garantia, o risco da operação é pequeno, o que resulta em taxas de juros mais baixas e em prazos de pagamentos mais longos.

Cartão de crédito

O cartão de crédito é um instrumento de pagamento, com prazo para liquidação das compras nele realizadas de até 40 dias, que também possibilita a obtenção de empréstimo de curto prazo para liquidar o saldo da fatura. São exigidos do cliente interessado nessa modalidade documentos como RG, CPF e comprovante de residência e de renda. O limite de crédito disponibilizado depende de análise do perfil financeiro do cliente.

Caso a fatura não seja paga integralmente, na data do seu vencimento, o valor não liquidado será financiado na modalidade de crédito rotativo, cobrando-se juros na fatura seguinte. Como o risco de atraso ou inadimplência é elevado, o cartão de crédito é um produto com taxas de juros muito elevadas. Ele pode oferecer também outras linhas de crédito para financiamento do saldo devedor da fatura, como o "parcelamento de fatura” e "compras parceladas com juros”.

Existem duas categorias de cartão de crédito: básico e diferenciado. O cartão básico é aquele utilizado somente para pagamentos de bens e serviços em estabelecimentos credenciados. Já o cartão diferenciado é aquele cartão que, além de ter a função clássica de pagamentos de bens e serviços, está associado a programas de benefício e/ou recompensas, ou seja, oferece benefícios, como programas de milhagem, seguro de viagem, desconto na compra de bens e serviços, atendimento personalizado no exterior, etc. Cartões de crédito diferenciados geralmente possuem tarifas de anuidade mais altas.

Cheque especial

O cheque especial é um crédito que pode ser utilizado automaticamente quando o cliente não dispuser de saldo suficiente em conta para liquidar seus compromisso. É preciso que o cliente tenha contratado essa modalidade de crédito previamente. Essa comodidade tem um custo elevado: as taxas de juros média chegam a mais de 300% ao ano.

Para ter acesso ao cheque especial, é necessário ter conta corrente em uma instituição financeira, procedimento que exige RG ou CNH com foto, CPF, comprovante de renda e residência atualizados. Assim como no cartão de crédito, o total de crédito disponibilizado depende de análise do perfil financeiro do tomador. Geralmente, o limite inicial é mais baixo e pode ir aumentando de acordo com o comportamento financeiro do cliente. "É fundamental que o usuário dessa modalidade de crédito tenha em mente que o dinheiro ofertado pelos bancos não faz parte de sua renda pessoal. O cheque especial só deve ser usado em situações de emergência”, destaca a chefe do Depef.

Fonte BCB